Home » Cadeia do Leite » Cenário atual difícil mas com expectativa positiva para o consumo de lácteos

Cenário atual difícil mas com expectativa positiva para o consumo de lácteos

05/03/2018 08:39:34 - Por: CILeite/Embrapa

O custo de produção do leite aumentou e o preço do leite pago ao produtor caiu em janeiro de 2018, na comparação mensal.

Responsive image
Conforme mencionado na Nota de Conjuntura anterior, devido à falta de chuvas, causada pelo fenômeno La Niña, houve uma queda de 4,9% na captação de leite na Nova Zelândia em janeiro/2018 na comparação com janeiro/2017. Isso refletiu em elevação nos preços internacionais dos derivados lácteos conforme os últimos leilões da Plataforma Global Dairy Trade (GDT). O leite em pó integral, por exemplo, saltou de US$2.886/ton no início de janeiro para US$3.246/ton no dia 20 de fevereiro, alta de 12,5% no período.

No mercado interno, o Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite/Embrapa) voltou a subir em janeiro (0,89%), impulsionado por mão de obra, volumoso e concentrado. Em dezembro/2017, o produtor precisava de 39,5 litros de leite para a aquisição de 60 kg de ração. Esse valor também subiu em janeiro/2018 para 40,3 litros. A safra de milho deste ano não será tão boa quanto a última, o que deverá pressionar ainda mais o custo de produção. Os produtores, que estão trabalhando com margens muito baixas neste início de 2018, devem assim desacelerar a oferta de leite nesse primeiro semestre.

Os preços mensais no mercado lácteo continuaram em queda em janeiro. O leite UHT no atacado caiu R$ 0,08 em um mês, de R$1,93 em dezembro para R$1,85 em janeiro, enquanto o preço bruto pago ao produtor recuou de R$1,10 para R$1,09 no mesmo período, na média nacional. Esse cenário reflete as dificuldades da indústria de laticínios em repassar os preços para o varejo e consequentemente para o produtor.

Apesar deste cenário negativo de preços e margens, é importante salientar que as cotações diárias do leite UHT no mercado atacadista de São Paulo já sinalizaram uma recuperação ao longo de fevereiro, o que abre espaço para algum aumento de preços ao produtor nos próximos meses.

Por outro lado, o conjunto de indicadores macroeconômicos está melhorando, apesar de estar em patamares ainda baixos em termos históricos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu pelo quinto mês consecutivo, com variação de 0,4 pontos para 88,8 pontos (maior nível desde outubro/2014). Com isso, o ICC ficou 9,5 pontos acima de janeiro do ano passado (Figura 1). A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) cresceu 2,3% entre dezembro de 2017 e janeiro deste ano, para 83,6 pontos, maior patamar desde julho de 2015. Na comparação com janeiro do ano passado, o indicador avançou 9,7%.
Figura 1: Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Intenção de Consumo das Famílias (ICF): 2014 a 2018. Fonte: FGV/IBRE e CNC. Elaboração: Intelactus/Embrapa Gado de Leite

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), registrou expansão de 1,04% em 2017 na comparação com 2016. Alguns dos fatores que colaboraram para esse crescimento foram: liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a inflação baixa e a taxa de juros Selic na mínima histórica (6,75%). Estes fatores também colaboraram para o aumento do índice de vendas da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). No acumulado de 2017, as vendas apresentaram aumento de 1,25% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa evolução, ainda que lenta na economia, tende a melhorar as vendas de derivados lácteos em 2018.