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EUA: produtores temem excesso de oferta de leite

06/06/2017 09:09:06 - Por: The Wall Street Journal, traduzidas pela MilkPoint

Em março, existiam 9,4 milhões de vacas leiteiras comerciais nos EUA, o maior número em 20 anos, de acordo com o Departamento de Agricultura (USDA).

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A indústria de lácteos dos Estados Unidos estava com problemas muito antes da disputa comercial com o Canadá no mês passado, que reduziu a demanda de leite ultrafiltrado, um dos ingredientes do queijo. Os produtores de leite temem que a medida - que prejudicou cerca de US$ 150 milhões em vendas para produtores de Wisconsin, Nova York e Minnesota - seja apenas um prelúdio para as rupturas que virão se o presidente Donald Trump renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) como prometido.

"Houve uma tempestade perfeita", disse Jaime Castaneda, vice-presidente sênior de política comercial da Federação Nacional de Produtores de Leite dos Estados Unidos (NMPF).

Os produtores de leite aumentaram agressivamente seus rebanhos há três anos, quando os preços do leite foram impulsionados pela crescente demanda dos consumidores da classe média na América do Norte, na Ásia e outros mercados. Em março, existiam 9,4 milhões de vacas leiteiras comerciais nos EUA, o maior número em 20 anos, de acordo com o Departamento de Agricultura (USDA).

Mas a China, a Rússia, a Venezuela e outros importadores reduziram suas compras de produtos lácteos nos últimos anos devido à problemas domésticos. A União Europeia, entretanto, aumentou consideravelmente sua produção de lácteos após remover as cotas de produção que duraram 30 anos em 2015. Em seguida, houve um aumento mundial na produção agrícola que reduziu os preços dos grãos e da carne, bem como dos produtos lácteos.

O dólar também teve altas em vários anos, fazendo com que as exportações dos EUA fossem menos competitivas. Os preços do leite caíram em um terço nos últimos dois anos, segundo dados do USDA. O valor das exportações de produtos lácteos dos EUA caiu para US$ 4,8 bilhões no ano passado, 50% a menos do que em 2014.

Os preços do leite em março ficaram em US$ 38,10 por 100 quilos, segundo o USDA, US$ 2,65 a menos que no mês anterior. Esse benchmark da indústria é uma média dos preços que os produtores recebem e é baseado em uma variedade de produtos lácteos, incluindo manteiga, queijo e leite em pó desnatado.

Os mercados de commodities como os lácteos são propensos a altos e baixos devido ao longo tempo que leva para aumentar a oferta. Mas o excesso atual – e a queda das exportações que vem acompanhando - pode representar um dos maiores desafios para a indústria de lácteos dos EUA. "Muitas dependem das exportações, e é por isso que as oscilações importam", disse Ben Laine, economista do CoBank Acb, um banco cooperativo agrícola. "É para aí que vai qualquer excedente".

O excesso de leite deverá crescer na primavera, período mais produtivo do ano à medida que as temperaturas aumentam e os dias ficam mais longos. Um inverno excepcionalmente ameno levou o início da estação de ordenha deste ano a ocorrer mais cedo, contribuindo ainda mais para o excesso de leite. "Você não pode abater as vacas", disse Ken Nobis, presidente de uma cooperativa de lácteos em Michigan, onde a movimentada estação começou três meses antes.

Em uma entrevista recente, o secretário de Agricultura, Sonny Perdue, disse que a renegociação do NAFTA poderia melhorar o acesso ao Canadá aos produtores dos EUA. "Vamos tentar equilibrar o placar de várias maneiras”. 

Tom Vilsack, secretário da agricultura durante o governo Obama e atual presidente do Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos (USDEC), pediu à administração Trump que encontre novos compradores estrangeiros para o leite americano. "Para acompanhar essas eficiências de produtividade, temos que procurar mercados adicionais", disse Vilsack.

Enquanto isso, os produtos lácteos dos EUA estão se acumulando. Os EUA têm mais de 360 milhões de quilos de queijo em estoque, o maior volume desde 1984, de acordo com o USDA. A quantidade de manteiga no estoque totaliza 124 milhões de quilos, o maior volume desde 1994. Alguns produtores dos EUA estão despejando milhões de litros de leite excedente nos campos. No Meio-Oeste e no Nordeste, cerca de 295 milhões de litros de leite foram despejados até agora neste ano, um aumento de 86% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os legisladores de Wisconsin e Nova York estão pedindo que o USDA compre novamente o excesso de queijo. No ano passado, a agência gastou US$ 20 milhões para comprar queijos de estoques privados para bancos de alimentos. O USDA já gastou todos os fundos autorizados para comprar o excesso de lácteos neste ano fiscal, mas o novo pedido está em consideração, disse uma porta-voz da agência. Alguns grandes compradores, como a Dean Foods Co., dizem que nem tentam mais prever os preços do leite.

"Aprendemos nossa lição em 2014", disse o diretor financeiro Chris Bellairs, referindo-se a um ano em que os custos do leite provocaram perdas para Dean. "O mercado foi volátil, e continua assim hoje".

Para lidar com isso, os produtores precisam parar de expandir seus rebanhos, disse Mark Stephenson, diretor do Centro de Rentabilidade de Lácteos da Universidade de Wisconsin-Madison. "Isso é algo que não queremos ou precisamos", disse Stephenson.