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O que fazer quando a criança não aceita o leite

13/06/2017 10:10:10 - Por: Diário do Nordeste. Foto Pixabay

Saiba qual a melhor forma de introduzir e complementar a principal fonte de cálcio na dieta infantil.

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Com o crescimento do bebê e a chegada dos primeiros aninhos, é preciso inserir outras fontes de leite, fora o materno, na dieta infantil.

Por ser a principal fonte de vitaminas e minerais, sobretudo o cálcio, o leite é fundamental para o bom desenvolvimento dos pequenos. Sendo assim, a recusa pode prejudicar o crescimento e, até mesmo, fragilizar a saúde. 

O motivo da repulsa e de outras queixas da criança, bem como contornar essa situação é uma dúvida frequente entre os pais. 

Primeira infância

Muito mais do que um vinculo afetivo entre mãe e filho, o aleitamento tem um papel fundamental na saúde: o leite da mãe, ofertado exclusivamente até, pelo menos, os seis meses de idade é capaz de suprir as necessidades vitamínicas e calóricas do neném e fortalecer sua imunidade.

É natural que com o tempo, principalmente após o primeiro ano de vida, as necessidades da criança mudem, fazendo com que surja a necessidade de outras fontes de alimentos.

Nesse momento o leite segue como protagonista no cardápio dos pequenos, pois, de acordo com a nutricionista Joanna Carollo, ainda é rico em nutrientes essenciais ao desenvolvimento infantil.

“O leite é abundante em proteínas, cálcio, fortalecimento e mineralização dos ossos. Além disso, a bebida é fonte das vitaminas A, B12 e outros minerais importantes como o magnésio, selênio e zinco. Portanto seu consumo, bem como de seus derivados, é fundamental na dieta das crianças”, explica.

Curiosamente, a necessidade desse mineral volta a aumentar de forma gradativa (e considerável) na primeira infância, ou seja, no período que compreende os primeiros cinco anos de vida.

Sendo assim, a introdução de outras fontes de leite é indispensável para complementar a oferta nutricional das crianças após o desmame.

Se a criança, nesse caso, continua não aceitando bem o leite, é preciso considerar a fase que a criança passa e, então, agir estrategicamente.

“Antes de tudo, os pais devem compreender que a primeira infância é um momento de descobertas e o paladar pode mudar significativamente", pontua a nutricionista.

Sendo assim, é interessante variar as preparações e, dependendo da idade da criança, recorrer aos derivados do leite, obviamente respeitando as limitações da dieta e pensando sempre na qualidade do alimento.

Se mesmo assim a criança não aceita às “alternativas”, é preciso procurar um médico para reavaliar a dieta. 

Alergia x Intolerância

Segundo Joanna Carollo, ainda existe muita confusão em relação aos distúrbios alimentares que o leite pode provocar. “Por ser um tema tão falado, muitas pessoas podem, de fato, associar a rejeição a essa desordem. Porém, ainda que acometa uma porcentagem pequena de crianças, a intolerância à lactose é mais frequente em adultos".

"Se tratando desses problemas, é mais comum que algumas crianças apresentem alergia às proteínas do leite, portanto, é preciso ficar atento a os sinais que podem surgir minutos ou horas depois da ingestão do alimento”, complementa.

Conforme Carollo, a principal diferença entre os distúrbios é que a intolerância desperta sintomas relacionados ao trato gastrointestinal, enquanto a alergia acomete o sistema de defesa do organismo

Os sintomas da intolerância à lactose se restringem apenas a parte intestinal, como cólicas, gases, barriga estufada e diarreia.

A alergia às proteínas do leite, por sua vez, causa os mesmos sintomas e outras manifestações como urticárias, dermatites e refluxos. Isso porque o distúrbio desencadeia uma reação do sistema imune sendo, portanto, uma condição mais delicada.

Fórmulas 

A ingestão de leite de vaca logo nos primeiros anos de vida pode provocar diversos distúrbios no sistema gastrointestinal da criança, que ainda não está preparada para o alimento.

Porém, como os nutrientes do leite são indispensáveis para seu crescimento, a alternativa é utilizar “fórmulas infantis” na dieta dos pequenos.

Para Joanna, essas fórmulas podem variar de acordo com a necessidade nutricional da criança, porém, são a alternativa mais segura, inclusive para aquelas que não apresentam qualquer anormalidade alimentar.

“Elas são, em geral, constituídas de proteínas do leite “quebradas” em partes menores, o que facilita sua digestão. Ainda assim, existem tipos adequados para cada perfil. Tais compostos podem, inclusive, ser isentos de lactose. O mais importante é seguir a recomendação médica e atentar para as especificações do rótulo do produto”.

"Birra" 

Quando existe a rejeita da criança simplesmente por não gostar do leite, a nutricionista argumenta que o alimento possui versatilidade.

“É possível saborizá-¬lo adicionando frutas da preferência da criança, aromatizá-lo com baunilha ou até mesmo oferecer leite com achocolatados (sempre com muito cuidado em relação ao açúcar). Para os maiores, é possível introduzir na dieta derivados do leite como bebidas lácteas, iogurtes e queijos mais leves", diz.

É importante inserir o alimento na dieta gradativamente, diluindo mais a princípio e deixando-a mais concentrada conforme a aceitação da criança. Porém, sempre atentando para que o preparo não fuja da recomendação diária.

Complemento ao Cálcio 

Felizmente há muitas alternativas além do leite para complementar os benefícios na dieta. É preciso somente atentar para os itens que podem ser potencialmente alergênicos.

Vegetais folhosos, especialmente os de coloração verde escura como o brócolis, a couve e o espinafre possuem uma boa concentração do mineral, bem como grãos como a soja, a lentilha e o feijão.

É fundamental seguir uma dieta balanceada para garantir que o mineral seja bem aproveitado no organismo. Como os nutrientes precisam estar em equilíbrio para que os benefícios do seu consumo sejam sentidos, é importante considerar outros elementos que igualmente devem estar presentes no cardápio.

“A vitamina D, por exemplo, é essencial para absorção do cálcio, portanto, consumir fontes do nutriente, bem como tomar sol diariamente, ajuda no aproveitamento deste mineral tão importante para o crescimento saudável das crianças“, finaliza Joanna.