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Identificação de Proteus Mirabilis em biofilmes de tanques de resfriamento de fazendas de leite no município de São Lourenço–MG

26/06/2017 10:59:06 - Por: Amanda Ribeiro de Souza Andrade, Luan Gavião Prado, Nydianne d’Angelis Rodrigues, Monytchely Vieira Lima, Diogo Jordão de Sá Cunha Carlos e Leonardo José Rennó Siqueira em Revista V&Z

A tecnologia e a diversidade do sistema de produção estão se atualizando tanto nos laticínios quanto nas propriedades produtoras.

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O leite é uma substância heterogênea, constituído por numerosos tipos de proteínas, gorduras, carboidratos, minerais, enzimas, possui pH neutro e grande quantidade de água. Sendo assim, o leite favorece o crescimento de muitas bactérias, podendo ser elas, deteriorantes ou patogênicas (IZIDORO, 2008).

O valor da contagem bacteriana no momento em que o leite sai da glândula mamária pode chegar até 10³ UFC/mL. A partir daí, esse alimento está sujeito a novas contaminações de quaisquer que sejam suas origens (BRAMLEY & McKINNON, 1990). Inúmeros aspectos estão relacionados a fonte de contaminação, como, o exterior do úbere e tetos, a superfície dos equipamentos utilizados, utensílios no momento da ordenha, aspectos relacionados com o ordenhador, além da conservação do leite em tanques de expansão e o seu transporte (MESQUITA et al., 2002).

Com a nova perspectiva em relação a produção leiteira dos produtores rurais nos últimos anos, foi necessário haver melhorias nesse setor. A qualidade do leite no Brasil tem melhorado de forma significativa, desde 2002, quando foi implantada a primeira Normativa pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Esta Instrução estabeleceu critérios para a produção e qualidade do leite, o que resultou a implementação de melhorias com a coleta do leite cru refrigerado e do seu transporte a granel (MARTINS, 2004).

Foi estabelecido a refrigeração do leite pós-coleta, com a implantação de tanques de refrigeração nas propriedades. Esse conceito visa diminuir a multiplicação de bactérias que podem trazer ao leite acidificação, como, as bactérias mesófilas. Porém, ao mesmo tempo houve favorecimento para a multiplicação da microbiota psicrotrófica, que se multiplica a temperatura abaixo de 7ºC, além de poder ocorrer o acúmulo de biofilmes nos tanques de resfriamento, onde devem permanecer em condições de 4ºC (FAGUNDES et al., 2004).

Para que a qualidade microbiológica esteja dentro dos padrões aceitáveis, é necessária a realização de programas efetivos de limpeza e sanitização, assim como a utilização de matéria-prima de qualidade e implantação de práticas higiênicas por parte dos colaboradores (OLIVEIRA, 2010).

Falhas em procedimentos de higienização faz com que os resíduos orgânicos restantes nos equipamentos e nas superfícies sejam aderidos fortemente e se tornem uma ampla fonte de contaminação. Com essas aderências, os micro-organismos interagem com a superfície e assim se inicia o crescimento celular. A multiplicação bacteriana vai dar origem a colônias e posteriormente, quando a massa celular for suficiente, vão ser agregados nutrientes, micro-organismos e outros resíduos, formando assim o biofilme (OLIVEIRA, 2010).

O biofilme é caracterizado pela adesão de micro-organismos a suportes sólidos, provocando alterações fenotípicas das células que são descritas como estratégias dos micro-organismos para sobrevivência em ambientes com condições adversas (OLIVEIRA, 2010). É considerado um biofilme o número de células aderidas entre 106 e 107 UFC (PARIZZI, 1998).

Após o acúmulo de matérias orgânicas e inorgânicas nas superfícies em que o biofilme é formado, as comunidades bacterianas se desenvolvem e se fortificam, fazendo com que essa adesão se torne mais resistentes e posteriormente sejam desprendidas, podendo contaminar outras superfícies e os produtos alimentícios. Micro-organismos presentes no biofilme podem sobreviver mesmo após o processo de sanitização, devido ao seu fortalecimento (SANTOS, 2009).

Caso não haja um sistema de qualidade e uma efetiva aplicação de agentes de limpeza e sanitizantes nas indústrias alimentícias e nas propriedades rurais, os micro-organismos não serão completamente removidos das superfícies e das instalações. Sendo assim, haverá o acúmulo de resíduos contribuindo para a formação do biofilme, que entrarão em contato com os alimentos contaminando-os com micro-organismos patogênicos ou deteriorantes, resultando em problema de saúde pública e degradação dos produtos (OLIVEIRA, 2010).

Vários tipos de micro-organismos podem contribuir para a formação dos biofilmes. Nas indústrias de alimentos, algumas apresentam maior aptidão para o desenvolvimento nesses meios. Dentre as bactérias deteriorantes, se destacam, Pseudomonas fragi, Pseudomonas fluorescens, Micrococcus sp. e Enterococcus faecium. Como bactérias patogênicas, podese citar Pseudomonas aeruginosa, Listeria monocytogenes, Yersinia enterocolitica, Salmonella Typhimurium, Escherichia coli, Staphyloccoccus aureus e Bacillus cereus e Proteus mirabilis. (ANDRADE, 2003).

Proteus sp. é um dos grupos de bactérias que constituem a famí- lia Enterobacteriaceae. São características dessa família apresentar bacilos Gram-negativos, sendo o metabolismo tanto aeróbico como fermentativo. A maioria das espécies se desenvolvem bem na temperatura de 25ºC a 37ºC (ICMSF, 2000). Esse grupo é amplamente distribuído, podendo ser encontrada no solo, na água, nas frutas e vegetais, nos animais e nos seres humanos, sendo elas potencialmente patogênicas para os mesmos (SOUZA, 2015).

Dentre os principais gêneros encontrados na família Enterobacteriaceae, temos Escherichia spp., Salmonella spp., Shigella spp., Enterobacter spp., Klebsiella spp., Serratia spp., Proteus spp., Providencia spp. e Citrobacter spp (ARCURI et al, 2006).

Proteus spp. são habitantes normais do intestino do homem e dos animais. Eles são difundidos na natureza e participam nos processos de putrefação e em infecções oportunistas extra-intestinais (LÁZARO et al, 1999).

Além de provocar doenças nos seres humanos e nos animais, a espécie Proteus spp. provoca alterações no sabor, no odor e na aparência do leite, devido a sua intensa proliferação. Essas bactérias vão exercer ações enzimáticas lipolíticas, oxidando as moléculas de gordura, dando origem a compostos como, glicerol e ácido graxo, o qual vão trazer sabor e odor de rancificação nos produtos (CARVALHO, 2010).

A presença desse tipo de microrganismo pode indicar uma refrigeração do leite cru prolongada por vários dias (JAY, 2005). Além disso, altos índices pode ser sugestivo de que os animais estejam com mastite e necessite de um tratamento específico (SOUZA, 2015).

Bactérias Gram-negativas, como no caso Proteus spp., são sensíveis a altas temperaturas, sendo assim, destruídas na pasteurização do leite (MENEZES et al, 2014).

Para ser evitada a contaminação alimentícia, deve-se realizar uma adequada higienização, que tem como o principal objetivo a preservação da qualidade microbiológica dos alimentos, auxiliando e garantindo a obtenção de um produto com boas qualidades nutricionais, sensoriais e com condição higiênica que não ofereça risco a saúde do consumidor (CAIXETA, 2008).

O presente trabalho teve como objetivo a identificação e a contagem de bactérias na superfície dos tanques de resfriamento do tipo expansão localizados no Sul de Minas, para que, assim, seja possível avaliar a presença de biofilmes bacterianos no mesmo e constatar se há contaminação desses biofilmes no leite presente nos tanques de resfriamento.

Material e Métodos

O presente trabalho foi realizado em quatro tanques de expansão, em quatro propriedades do município de São Lourenço, Minas Gerais. Foram coletadas amostras de cinco pontos diferentes de cada tanque.

A colheita das amostras para identificação do biofilme foi realizada utilizando swabs estéreis umedecidos com água peptonada 0,1% estéril, por meio de fricção, aproximadamente dez movimentos, feitos de intensidade de força moderada na superfície interna, em vários locais (cinco pontos de coleta), após a higienização, em uma área delimitada por um gabarito com 1cm³, devidamente esterilizado. Os swabs foram introduzidos em tubos de ensaio contendo 18 ml de água peptonada 0,1% estéril.

Logo após a colheita, estes tubos de ensaio foram armazenados em caixas isotérmicas sob refrigeração (2ºC a 8ºC) e levadas para o Laboratório de Microbiologia da Fundação de Ensino e Pesquisa de Itajubá – FEPI.

Para a identificação de biofilme realizou-se a técnica de espalhamento em superfície, onde 0,1 ml das diluições foi inoculado em placas de Petri contendo Ágar Plate Count Ágar (PCA) e, com auxílio de alça de Drigalsky, foram espalhados na superfície do Ágar. Em seguida as placas foram incubadas a 35ºC por 48 horas, placas invertidas, onde foi realizada posteriormente a contagem das UFC (Unidades Formadoras de Colônias).

Para ser considerado um biofilme, o número de células aderidas devem estar entre 106 e 107 UFC (Unidades Formadoras de Colônias).

Após o crescimento bacteriano foram feitas lâminas e coloração de Gram. Posteriormente, foi utilizado o Enterokit B® para identificação das bactérias. A leitura dos resultados foi realizada de acordo com o auxílio do fabricante.

Resultados e Discussão

Foram coletadas amostras de quatro diferentes taques de resfriamento em propriedades do Sul de Minas. Em todas as amostras coletadas, houve crescimento de biofilme bacteriano. Com a coloração de Gram, foi possível identificar bactérias Gram-negativas. Em seguida, com a utilização do Enterokit B®, foram identificadas Proteus miralis em todas as amostras coletadas.

Segundo os resultados de Souza (2005), 61,1% de amostras de leite cru apresentaram Proteus spp., sendo sugestivo que as vacas do rebanho apresentavam mastite. Resultados estes, compatíveis com Okura (2005), que identificou 1,8% de Proteus spp., em amostras de leite cru retirados de latões.

Ambos resultados demonstrados anteriormente, foram compatíveis com o estudo realizado na Coréia do Sul, por IN (1995), que concluíram que 23,0% das amostras do leite cru utilizados na fabricação de produtos lácteos apresentaram Proteus spp. Generoso (2011), ainda realizou estudos com amostras de leite em tanque de expansão e concluiu que 3,48% de Proteus mirabilis.

Estudos realizados por Okura (2010) mostraram que, em 30 amostras retiradas de queijos feitos com leite pasteurizado, 12,5% foram de Proteus spp. Já em queijos feitos com leite cru, de 670 cepas isoladas, 5,9% apresentaram Proteus spp e, em 31 amostras de queijos temperados, 41,4% foram de Proteus spp.

Diferente do citado pela literatura consultado, o presente trabalho encontrou 100% de amostras positivas para Proteus mirabilis. Além disso, as amostras foram coletadas diretamente de tanques de expansão, caracterizando a presença das mesmas em biofilmes. Nenhum dos trabalhos consultados apresenta dados em relação à presença destas bactérias em biofilme e/ou em tanques de expansão.

Sendo assim, a presença de Proteus mirabilis em amostras de biofilmes coletadas em tanque de expansão pode trazer grandes prejuízos na produção de produtos de origem animal. Além disso, bactérias desse gênero podem causar intoxicação com problemas para a saúde do consumidor, diminuição de vida útil do produto na prateleira, assim como acarretar o acúmulo do biofilme na superfície dos equipamentos e contaminação do próprio leite armazenado nesse tanque.

Conclusão 

A pesquisa e identificação dos vários tipos de bactérias no leite serve como parâmetro para demonstrar a qualidade do mesmo, sendo que, encontrá-las em alta quantidade sugere um indicativo de condições higiênicas insatisfatórias no processamento.

O processo de sanitização não se limita apenas em equipamentos de laticínios, como os tanques de resfriamento do tipo expansão, mas também deve ser aplicado nas propriedades rurais, principalmente no momento da ordenha, para que seja evitado o desenvolvimento de micro-organismos indesejáveis e consequentemente, um produto inadequado para consumo humano.

Referências Bibliográficas

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SOUZA, L.F; CASTRO M.L.L. Qualidade microbiológica do leite cru no município de Pontalina, GO. Revista Analytica. Fevereiro/Março 2015 - nº 75.

Autores:

1. Amanda Ribeiro de Souza Andrade: estudante de graduação do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá - FEPI, Minas Gerais. Avenida Daniel de Carvalho, nº 22, Estação - São Lourenço, Minas Gerais, 37470-000, (35) 98821.9072, amanda.rsandrade@hotmail.com.

2. Luan Gavião Prado: professor do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá – FEPI, CRMV-MG 12271.

3. Nydianne d’Angelis Rodrigues: estudante de graduação do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá - FEPI, Minas Gerais.

4. Monytchely Vieira Lima: estudante de graduação do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá - FEPI, Minas Gerais.

5. Diogo Jordão de Sá Cunha Carlos: estudante de graduação do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá - FEPI, Minas Gerais.

6. Leonardo José Rennó Siqueira: coordenador e professor do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá – FEPI, CRMV-MG 5902.