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O leite que não causa alergia

08/08/2017 10:45:33 - Por: Sâmara Raiany de Almeida Rufino, Mestre em Zootecnia. Supervisora de Projetos e Qualidade da CCPR/Itambé na região de Pará de Minas.

O leite é um alimento essencial em todas as fases da vida por ser fonte de cálcio, proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais.

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Não é segredo para ninguém que o leite é um alimento essencial em todas as fases da vida por ser fonte de cálcio, proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais. No entanto, algumas pessoas podem apresentar reações alérgicas ao consumir leite e derivados, devido à proteína do leite.

Antes de falarmos sobre este assunto, é importante esclarecermos que a alergia à proteína do leite é diferente da intolerância à lactose. Essas duas patologias são frequentemente confundidas pelo fato de ter um alimento causador em comum: o leite, mas são bem diferentes entre si e ambas necessitam de acompanhamento médico e nutricional.

A intolerância à lactose ocorre porque o organismo não produz ou produz pouca quantidade da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose. Já a alergia à proteína do leite ocorre porque em algumas pessoas as proteínas do leite são identificadas pelo sistema imunológico como um agente agressor, desencadeando vários sintomas desagradáveis.

Uma das proteínas do leite de bovinos é a beta-caseína e o gene dessas proteínas possui os alelos A1 e A2, dentre outros. A beta-caseína A1 quando degradada no trato gastrointestinal humano origina um peptídeo chamado beta-casomorfina 7.

Pesquisas indicam que este peptídeo é o causador da alergia do leite que alguns seres humanos apresentam. Dessa forma, se o leite consumido não tivesse a beta-caseína A1, ele não seria alergênico. O leite que possui somente beta-caseínas A2 é chamado de leite A2 e é produzido a partir de vacas cujo genótipo para o gene da beta-caseína é o A2A2.

A produção de leite A2 torna-se um nicho de mercado interessante para os produtores, sendo possível a obtenção de leite e derivados que não causam alergia em pessoas sensíveis à proteína do leite. Se o produtor tiver interesse nesse tipo de produção, há a necessidade de realizar uma seleção assistida por marcadores moleculares dos animais do rebanho. Primeiramente, coleta-se material biológico dos animais da propriedade para envio a um laboratório especializado na execução do teste. No laboratório, o DNA é extraído e a genotipagem do marcador em questão é realizada. O produtor receberá do laboratório os genótipos de seus animais, podendo ser: A1A1, A1A2 ou A2A2. Ele poderá permanecer somente com os animais A2A2 na propriedade ou ordenhá-los separadamente dos demais.               

Uma ótima notícia para os produtores brasileiros, em especial para aqueles que utilizam genética zebuína, é que pesquisadores constataram que a raça Gir Leiteiro produz leite com praticamente 100% de beta-caseína A2, ou seja, a que não causa alergia. A outra raça que produz leite tipo A2 é a Guernsey, cujo rebanho é muito pequeno no Brasil. As raças leiteiras europeias mais conhecidas, como a Holandesa e a Jersey, produzem leite com apenas 50% e 75%, respectivamente, de beta-caseína A2.                                     
Em países como a Austrália e Nova Zelândia já existem fazendas especializadas em leite A2. Nestes países, é possível comprar leite e derivados lácteos A2 em lojas especializadas. Portanto, a produção de leite baseada em raças zebuínas pode ser um sistema interessante para os produtores que almejam trabalhar nesse segmento, pois além de aumentar a possibilidade de que pessoas alérgicas possam consumir o leite, é possível também agregar valor ao produto vendido.