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SanCor: diminui chance de Fonterra e aumenta chance de Saputo adquirir empresa argentina

16/08/2017 09:15:52 - Por: iProfesional.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint

A companhia de lácteos da Argentina, SanCor, não recebeu do governo do país a segunda série de fundos que visa complementar a operação de resgate da empresa.

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A companhia de lácteos da Argentina, SanCor, não recebeu do governo do país a segunda série de fundos que visa complementar a “operação de resgate” da empresa. Tampouco, avançaram as negociações com o grupo neozelandês, Fonterra. De fato, parece que a empresa entrou agora em um período de congelamento.

Ao mesmo tempo, a SanCor gerou maior interesse em outro conglomerado estrangeiro importante, que se candidatou para ficar com os ativos que ainda mantêm a cooperativa. Trata-se da holding canadense, Saputo, que já tem presença no mercado de alimentos da Argentina e é considerado um dos principais exportadores de lácteos do país, onde opera sob a marca La Paulina.

Globalmente, tem 53 unidades de produção, das quais 25 estão localizados em seu país de origem, outras 26 nos Estados Unidos e duas na Argentina. Diretamente emprega cerca de 12.000 pessoas, exporta seus produtos para 100 destinos e fatura anualmente cerca de US$ 8 bilhões. Está entre as 10 maiores empresas do mundo no setor. É líder em seu segmento no Canadá e no mercado local está no "top cinco", enquanto que nos Estados Unidos é o maior produtor de queijo.

Anualmente processa 6 bilhões de litros de leite fluido e a maior parte da sua atividade é baseada em queijos e outros produtos industrializados, como creme, leite em pó, doce de leite, manteiga e ingredientes para a indústria alimentar, no estilo de concentrados de proteínas do soro.

Vende cerca de 50 marcas em todo o mundo e na Argentina chegou em 2003 depois de comprar da família Perez Companc os ativos da Molfino Hermanos, suas duas plantas de produção localizadas em Rafaela, Santa Fé, e Tío Pujio, família Córdoba. Agora, tenta adicionar ao seu portfólio o negócio que a SanCor ainda opera. Fontes do mercado, do governo e dos sindicatos concordaram que nas últimas semanas houve contatos com executivos da Saputo, que mostraram interesse em conhecer as condições que envolvem a busca por um sócio ou um novo dono para a principal cooperativa leiteira no país.

Na verdade, as negociações estão avançadas em relação ao negócio da produção de soros que a SanCor tem em parceria com outra cooperativa: a dinamarquesa, Arla Foods. Cada uma controla 50% do capital da sociedade (Afisa), dedicada à produção de proteínas funcionais do soro de leite (whey protein concentrate) e permeado de soro de queijo, dois ingredientes usados na fabricação industrial de alimentos. Atualmente, 90% da produção é exportada pela Afisa e o resto é usado localmente na panificação, chocolates ou sorvetes.

O financiamento para a eventual compra já estaria garantido, vindo de um grupo financeiro canadense que, uma vez fechada a transação, deixaria de controlar esse importante segmento de negócios da SanCor aos executivos da Saputo.

Mais interessados

De qualquer forma, surgiu um outro grupo que luta pelos ativos da SanCor: o fundo investidor EuroFinanzas, interessado em entrar na produção de leite local. Seus representantes veem a SanCor como uma alternativa interessante para crescer, razão pela qual lá enviaram para seu conselho uma proposta e agora estão à espera de uma resposta formal.

César Casciola, representante desse grupo de investimento, disse que esta proposta já foi entregue e que o EuroFinanzas seria o contribuinte de fundos, enquanto que a firma Prarex Internacional assumiria os ativos da SanCor.

O plano dessas empresas é baseado em três pilares:

1. Fornecer aos produtores de leite de apoio com aportes de capital que permitam melhorar a infraestrutura, a nutrição e o manejo do rebanho.
2. Construir unidades leiteiras intensivas em pontos estratégicos capazes de produzir 200.000 litros por dia com 80 trabalhadores.
3. Reestruturar as plantas industriais, já que atualmente operam com maquinário antigo que gera custos mais elevados.

Após visitar as instalações e depois de analisar a viabilidade do negócio, os enviados da Fonterra decidiram tirar o pé do acelerador e congelar as conversas, pelo menos por enquanto.

Fontes consultadas explicaram que este freio não significa que o maior produtor de leite do mundo deixou de estar interessado na SanCor, mas seus executivos decidiram aprofundar o estudo sobre a viabilidade do negócio, devido aos problemas sindicais e de dinheiro que a cooperativa enfrenta.

No entanto, o governo da província de Santa Fé insistiu que, durante o mês de agosto, poderá haver novidades com relação ao desembarque de Fonterra. Também admitiu conhecer o interesse da Saputo, mas suas preferências se inclinam mais para a Nova Zelândia como um novo "sócio estratégico" da SanCor.

Em busca de oxigênio financeiro

Além do interesse demonstrado pelo negócio de soros, a Saputo quer ampliar as negociações para adicionar outra área de atividade ainda em poder da cooperativa argentina, com sede na cidade de Sunchales.

Desde que começou sua crise financeira, a SanCor teve que ir renunciando negócios para obter fundos que lhe permitisse sustentar dia a dia sua atividade, que emprega cerca de 4.000 pessoas.

Assim, no ano passado, vendeu ao grupo local Vicentín sua linha de sobremesas e iogurtes em troca de US$ 100 milhões. Desde então, dedicou-se só à produção de leite e soros.

Anteriormente, em 2015, já havia deixado em mãos da norte-americana, Mead Johnson, 10% das ações de uma empresa orientada à produção de fórmulas infantis, operação realizada por US$ 20 milhões.

Apesar destas injeções de capital, os problemas continuaram. Em março, a cooperativa teve que fechar várias das 15 plantas de sua propriedade, como a localizada em Brinkman, província de Córdoba. Também sofreram processos de redução e demissão de pessoas as plantas de Charlone, Moldes e Centeno.

No meio, o governo decidiu oferecer à SanCor um pacote de 450 milhões de pesos (US$ 25,45 milhões), dos quais até agora só foram fornecidos 200 milhões de pesos (US$ 11,31 milhões). Isso depois de árduas negociações entre seus executivos, representantes do setor leiteiro, funcionários dos ministérios da Agroindústria, Produção e Trabalho e da associação, Atirla.

Em maio, os setores envolvidos assinaram um acordo para resgatar a cooperativa ou pelo menos dar a ela tempo para encontrar um comprador. Além do fundo de resgate, chegou-se a um acordo de um esquema para reduzir as contribuições dos aportes patronais ao sindicato e de compromisso de rever o acordo coletivo do setor. O objetivo era o de dar um impulso ao desenvolvimento e à competitividade, não só da SanCor mas de toda a cadeia de lácteos, bem como de melhorar as condições de trabalho.

Os fundos que o governo ainda não terminou de pagar estão incluídos em um fideicomisso, uma vez que as autoridades nacionais acusam os executivos de má gestão financeira que a levaram a uma dívida de quase 1,7 bilhão de pesos (US$ 96,17 milhões).

Por isso, o ministro da Agroindústria, Ricardo Buryaile, pediu publicamente para a cooperativa iniciar um processo de reestruturação e encontrar uma gestão adequada, de modo a recuperar a confiança dos produtores pagando as dívidas.

Talvez como uma mensagem de que "algo está mudando", os executivos da SanCor também decidiram deixar de patrocinar o Atlético Rafaela no próximo campeonato, depois de 12 anos com a camisa desse clube de futebol.

Embora as autoridades políticas de Córdoba e Santa Fé tenham garantido que o acordo com o Governo autorizado permitia à SanCor "sair da terapia intensiva", o fato é que mais uma vez voltou a ter problemas.

Os 200 milhões de pesos (US$ 11,31 milhões) já injetados possibilitaram pagar dívidas e voltar a receber matéria-prima, mas não foram suficientes para iniciar um caminho de recuperação sustentada.

Na verdade, os mesmos executivos que Buryaile acusou de má gestão continuam à frente da SanCor, um dado que teria sido importante para decidir se enviariam os 250 milhões de pesos (US$ 14,14 milhões) restantes. Assim, eles não foram atraídos para o fundo fiduciário. 

Em 14/08/17 – 1 Peso Argentino = US$ 0,05657
17,5491 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)